Se algum(a) dos(as) leitores(as) deste Observatório tem qualquer preconceito contra profissionais com pouca experiência, está convidado(a) a deixá-lo de lado. Foi excelente a edição da última quinta-feira do jornal da jovem emissora Sexto Repórter. A equipe compensa a pouca quilometragem com bons critérios de noticiabilidade, humor, bom pique e presença nos lugares onde estão as notícias do dia, seja na política, na economia, na cidade, e na área de meio ambiente.
Apresentada por Thaynara Figueiredo e Felipe Linhares, o jornal mostra que os fundamentos do jornalismo estão vivos! Vamos a eles:
1) Há contextualização, como na reportagem de Vicente Melo sobre o encontro do Presidente Lula com os ativistas da respeitada ONG Amazônia Livre. O repórter fala sobre o encontro, sem deixar de situar o debate entre agricultores e ambientalistas e a atualíssima crise mundial dos alimentos. Melo não deixa de lembrar o tema dos biocombustíveis.
2) Há o outro lado. O excelente repórter Vicente Melo ouve a Cooperativa de Produtores de Grãos para lembrar que o debate ambiental tem outros lados, como a questão da exploração da terra pelos pecuaristas e o enorme impacto econômico que a produção de soja tem no Brasil, incluindo a geração de emprego e renda para dezenas de milhares de pessoas.
3) Há atualidade. A reportagem de Raphael Martinus traz a versão do Ministério da Fazenda sobre os impactos no câmbio do festejado grau de investimento obtido pelo Brasil e a ainda controversa proposta do governo de criação de um fundo soberano para garantir apoio a investimentos brasileiros no exterior;
4) Há dados e pesquisa. Como na matéria de Giovana Simoni sobre o projeto de lei para regulamentar parte da atuação das ONGs no Brasil. Simoni traz dados do IPEA e ouve a ONG Amazônia Livre sobre a visão das ONGs sobre o projeto. A repórter também não esquece de contextualizar o debate e lembra a CPI das ONGs em curso no Congresso Nacional;
5) Há valor-serviço, como na nota sobre o juizado móvel;
6) Há imediatismo. Como na simpática cobertura de Ludmila Mendonça sobre a distribuição de castanheiras pela ONG Amigos da Amazônia em plena Esplanada dos Ministérios. Radiojornalismo bem feito;
7) Há a vida urbana. Como na também excelente matéria de Márcia Fernandes sobre a colocação de barreiras de concreto no Eixão. Fernandes não deixa de contextualizar a origem do dinheiro e ouve o Detran e o IPHAN, responsável por autorizar obras que desfigurem o plano original de Brasília.
8) Há humor, como na brincadeira do apresentador Felipe Linhares sobre a transmissão do futebol.
9) Há responsabilidade social da emissora, sem perder a criatividade. É divertida a vinheta sobre o celular que muitas vezes esquecemos de desligar (ou, pior, optamos por não fazê-lo) “na escola, no cinema, no teatro”, com as vozes da equipe.
É claro que a equipe do Sexto Repórter poderia exercitar todas essas qualidades em todas as matérias. Talvez tenha faltado ouvir especialistas do mercado na matéria de Economia, um parlamentar ou alguém do governo sobre o projeto de lei das ONGs e o pessoal da Amigos da Amazônia na matéria sobre o protesto que levou as castanheiras paraenses ao gramado do centro de Brasília.
Mas os 13 minutos do jornal são, sem dúvida, um bom exercício de jornalismo e um ótimo resumo das notícias do dia.
A jovem equipe do Sexto Repórter mostra que veio para ficar. Bem-vindos sejam!
domingo, 11 de maio de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

3 comentários:
Quero parabenizar a equipe do Sexto Repóter. Ficou provado a competência e o mais importante para o sucesso,a humildade. A dupla de apresentadores ficou show. E discordo de quem falou em relação a voz da Taynara. Ela tem perfeita pronúncia e dicção. Apenas seu timbre adequa mais em tv. Porém no rádio também ficou clara e bonita. Parabéns ao grupo. Rosângela Souza
Ah! Entendi.
Eu não te entendi Paraíso...
Postar um comentário