terça-feira, 13 de maio de 2008

Bom sinal, muito chão pela frente...

O teórico italiano Norberto Bobbio já anunciara em seu “A Era dos Direitos”, depois dos direitos individuais, sociais e econômicos, a quarta geração dos direitos humanos teria o meio ambiente e a genética como seu horizonte. Aí estamos. O meio ambiente é O tema da atualidade mundialmente Se não vejamos: aquecimento global, megacidades, biocombustíveis e eficiência de energia, crise mundial de alimentos e demanda pelo aumento da produção, redes, reações em cadeia.

Nesse cenário, é louvável que o renomado jornal O Momento tenha decidido dedicar algumas de suas páginas ao tema, organizando uma editoria de Meio Ambiente para a cobertura sistemática da questão que ocupa nosso dia-a-dia ainda que não prestemos atenção no que consumimos, no lixo que geramos, em como nos deslocamos,...

Porém, faltam passos importantes ao jornal para que as potencialmente nobres páginas de Meio Ambiente mereçam o nome de editoria.

Vamos à edição de sábado, 10 de maio.

Diante do excelente estudo da ONG Amazônia Livre sobre a relação das mudanças climáticas e o desflorestamento da Amazônia, o repórter Daniel Ribeiro praticamente reproduziu o release da organização e juntou aos dados do relatório uma coleção de informações sobre a perda da cobertura da floresta. O texto começa com o que nos bancos da faculdade aprendemos a chamar de nariz-de-cera quando poderia entrar logo nas posições inovadoras do estudo. E ao longo da matéria apenas os diretores da ONG, Josué Isaías e Rodrigo Lopes, são ouvidos e citados nas duas páginas.

Na seqüência da matéria, um quadro interessante traz a posição da Embrapa sobre a questão, mas também ali não há contraponto. Apenas alguns caminhos técnicos para o aumento da área cultivada no Brasil para a produção de alimentos. Ponto para a equipe d´O Momento para a contextualização da questão dentro de um cenário internacional, mas, de novo no Box, há apenas o discurso do pesquisador do Embrapa. Mas as duas matérias e seus excessos de dados no corpo do texto não dialogam.

A matéria perde ainda belas oportunidades anunciadas pelo release da Amazônia Livre, obtido por este Observatório. Além do estudo em si, o material da ONG levanta um ponto interessante sobre que chama de “falsa dicotomia” entre ambientalistas e agricultores. Em um jornal tão bem desenhado, tanto em sua versão eletrônica como impressa, estava aí a deixa para uma matéria, um editorial, artigos assinados por ponto de vista diferentes. O que os agricultores pensam da afirmação de Rodrigo Lopes, o polêmico e contundente diretor da AL? O Momento não nos ajudou, a nós leitores, a saber o outro lado da história...Uma pena.

A matéria também peca por excesso de dados e nesse caso, a melhor opção é, quase sempre, o infográfico, ou qualquer outro caminho que ajude a leitor a dirigir tantos números.

Também fica difícil entender a publicação da logo da Amazônia Livre no jornal...Trata-se de uma parceria?

Ainda na linha ambiental, o quadro da repórter Giselle Guedes pretende explicar o que é biocombustível, mas o texto não avança e parece ter sido “abortado” na metade...O mesmo vale para a coluna de Ana Amélia Lemos, essa colaboradora especial d´O Momento. Em sua nota sobre os elogios do ex-presidente norte-americano ao Brasil, o texto é interrompido e não conseguimos concluir o que o amigo de Fernando Henrique Cardoso disse do governo Lula da Silva...

Na editoria de Economia, novamente na matéria do famoso colunista José Roberto Paraíso, citações à e da Embrapa. Fica difícil entender porque a edição do jornal deixou que se repetissem tanto as mesmas fontes para as matérias. O Momento é um jornal tão interessante que dispõe de um economista em seu quadro para avaliar as coberturas. Maravilha! - lembra o ícone do jornalismo econômico mundial, a revista inglesa The Economist. Mas o analista me parece mal aproveitado no momento (sem trocadilhos) em que o mundo debate a tensão entre os preceitos e urgências econômicas e os preceitos e urgências ambientais.

Ainda na edição do último sábado d´O Momento, vale notar a matéria de Rodrigo Otávio Barbosa. Com diferentes vozes, a matéria tem sabor, mas também tem cara de conversa cortada no meio. Se a sugestão é que plantemos nós mesmos alimentos mais saudáveis em casa, ficou faltando o lado serviço da matéria para ensinarmos como fazê-lo. Outra dica para o repórter: não faça tantas perguntas numa matéria. Afirme (e conte-nos, por favor, se é possível plantar morangos numa quitinete!).

A matéria de Maíra Menezes é interessante e tem apelo. Mas poderia ter logo começado com a história do garoto, que nos atraiu pelo título. E, mais uma vez, como no caso dos alimentos, fica a vontade de saber mais sobre como ser um home broker (e como ter R$ 6 mil aos 16 anos?!?!?!?). Faltou serviço e valor-serviço e outros casos e histórias...Há quem tenha perdido tudo na mesma brincadeira do esperto Márcio?. Quais são seus planos do jovem broker para o dinheiro que ganhou de casa???

Para finalizar, a coluna de José Roberto Paraíso é interessante, tem ritmo. Porém, traz algumas conclusões apressadas, como a relação do pão com o salário mínimo. Paraíso merece ainda mais cuidado de edição com suas notas porque a coluna repete informações já dadas pelo jornal em forma de matéria (como no caso dos vegans). Um último comentário: pelas regras da noticiabilidade, sempre mutáveis, claro, mas me parece que a ação da interessante ONG AMA merecia mais que uma notinha...A questão fundiária na Amazônia é coisa para cobertura de fundo!

3 comentários:

José Roberto Paraíso disse...

É creu! É creu! É creu neles! É creu nelas! Créééuuuu! Créééuuuu! Creu, creu, creu, creu, creu, céu!

. disse...

Gostaria de esclarecer algumas coisas a respeito do comentário feito no blog observandorpv.blogspot.com.
Sobre a criação das editorias exclusivas de economia e meio ambiente, elas apenas foram criadas devido ao material colocado no blackboard onde dizia que o jornal impresso deveria ter as editorias de economia e meio ambiente, só por isso. A partir desse ponto dividimos o grupo em dois repórteres para cada editoria. Se não entendêssemos ser obrigatória a criação dessas duas editorias o jornal teria a liberdade de avaliar as pautas e aproveitar ganchos em outras editorias.
A respeito de TODAS as matérias que não foram escritas pelos repórteres RODRIGO CAETANO, GISELLE GUEDES, JOSÉ ROBERTO E DANIEL RIBEIRO, elas são FICTÍCIAS (assim como a da invasão da reitoria feita pela rádio), estão lá apenas para preencher as páginas diagramadas. A nota do biodisel realmente foi “abortada” propositalmente. A coluna da Ana Amélia Lemos está na página apenas para demonstrar como seria se o jornal O MOMENTO fosse realmente impresso. Até porque quando do início do trabalho a idéia era imprimir para a turma toda apenas as matérias de cada repórter. Eu resolvi diagramar as páginas para demonstrar nossa visão caso fosse impresso. Pensei que o que fosse avaliado seriam as matérias assinadas pelos alunos, as quais também estão no blog.
Sobre as críticas feitas às matérias escritas pelos membros do grupo entendi perfeitamente e pedi que todos os repórteres lessem o observandorpv. Mas a respeito das notas abortadas, colunas de colaboradores e repórteres fictícios como a “Maíra Menezes” elas apenas enfeitam o jornal diagramado. Achei que tinha esclarecido isso durante a última aula, em que repeti duas vezes a explicação. Pois a diagramação é apenas um algo a mais para o trabalho. Esperava que as matérias analisadas fossem apenas as assinadas pelos alunos, as quais estão todas no blog.
Sobre as reclamações dos grupos (ONG’s e cooperativas) fizemos as matérias em cima das releases recebidas até o prazo especificado. Lembrando também que, segundo a professora, não éramos obrigados a escrever uma matéria para cada cooperativa e ong, mas achei melhor designar um repórter para cada grupo para não ter problema pra ninguém. Como já esclareci em email anterior enviado a todos. As cooperativas e ONG’s que não foram citadas em nenhuma matéria foi porque nos enviaram releases de agências. Sem sequer se darem o trabalho de apagar o nome de onde copiaram as releases. Ao tentarmos entrevistar determinados grupos, não obtivemos sucesso (ao contrário da rádio). Sobre a questão da falta de humildade de alguns membros do jornal, relatada por alguns colegas, gostaria de lembrar que quando fomos em busca de informações alguns grupos informaram que “estavam de greve”, e outros nos perguntaram se nosso grupo estava querendo complicar o trabalho da turma. Ai fica realmente difícil.

Observatório de RPV disse...

Fabio,

muitíssimo obrigada por sua mensagem.


sobre as editoriais, a idéia era mesmo ter editoriais de meio ambiente e economia. meu comentário no blog era no sentido de que as duas editoriais pudessem dialogar melhor. e, apesar de serem obrigatórias, isso não impediria a criação de outros espaços para outras matérias (mas, de qualquer forma, isso não é o que faz falta n'O Momento).

sobre os textos cortados, agradeço sua explicação. já havia entendido isso quando você explicou o processo de edição em sala de aula. de qualquer forma, ainda que fosse para o preenchimento de espaço, a edição do texto poderia ter sido cuidada. Como a edição do formato do jornal é muito interessante, o corte brusco no texto rouba o charme da diagramação.

sobre seu comentário do cumprimento dos prazos para envio das matérias, também agradeço. acho que você fez bem o seu papel de editor e foi muito democrático, enviando há duas semanas um email explicando a posição de vocês.


um abraço,

Rachel Mello